segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Colmeias racionais

Não vou fazer nenhuma abordagem ao aparecimento da colmeia racional e muito menos "retrocessos saudosistas" aos antigos cortiços, sou de opinião que tudo tem um inicio e um fim e de preferência que esse fim seja pela substituição por algo de melhor, no caso o aparecimento das colmeias modernas.
Cortiço tradicional

Existem em uso presentemente em Portugal vários tipos de colmeias, sendo os mais vulgares, os modelos "reversível", "lusitana" e "langstroth". Estes modelos derivam mais ou menos da colmeia "langstroth" que foi sofrendo adaptações no sentido de ser rentabilizada de acordo com as necessidades de cada zona onde é utilizada.

Pessoalmente não encontro motivos para achar que este modelo é melhor que o outro, talvez pela zona onde exerço apicultura isso não fazer  qualquer diferença, mas a minha realidade é esta, assim sendo faço recair a minha escolha do modelo a usar, na facilidade de operação de cada uma delas, que vai desde o peso a carregar até a facilidade de compatibilizar todo o material que uso.

Uma colmeia é normalmente construída em madeira de pinheiro (pinho), infelizmente nós aqui no continente, não temos (a preços interessantes claro) uma madeira muito boa que existe nos Açores, a criptómeria, e que tanto quanto sei é bastante usada por lá, barata e muito leve, e muito bem aceite pelas abelhas, logo temos de nos socorrer da relação qualidade/custo/disponibilidade e aceitação pelas abelhas abelhas e o resultado é a madeira de pinheiro.
Criptómeria

Uma colmeia é normalmente construída de madeira de pinho, com a espessura de 25mm, é a  "bitola" aceite como isolador suficiente para as temperaturas de inverno, verão e humidade. Este é o valor comum ás colmeias que adiante vou descrever com mais pormenor.

Seja qual for o modelo de colmeia racional, e faço aqui esta nota, porque há colmeias que embora construídas também com as mesmas normas como sendo a bitola da madeira são colmeias cujo desenvolvimento é horizontal, designadas vulgarmente por TBH, que em minha opinião não rentabilizam tanto a prática apícola como as racionais, mas que também dão resultados muito interessantes para quem apenas quer possuir uma ou duas como passatempo, mas como dizia uma colmeia é sempre constituída de um fundo, um ninho, uma alça e pelo menos uma cobertura ou telhado.

Colmeia TBH (Top Bar Hive)

Como já se percebeu apenas vou abordar os 3 modelos que citei em cima, e posto que já descrevi uma colmeia, vou agora tentar explicar o que cada coisa é, sendo que algumas partes são mais óbvias que outras:  
  • Fundo ou estrado: a parte onde tudo assenta, normalmente a parte também por onde entram e saem as abelhas. Pode ou não ser fixo ao ninho.
  • Ninho: A parte que é colocado em cima do estrado, podendo ou não ser fixa ao mesmo. É a parte mais importante da colmeia, é aqui que as abelhas nascem, onde a rainha anda, onde as abelhas recen-nascidas se alimentam, até onde as doenças das colmeias se desenvolvem. Posso afirmar que nenhuma colmeia que não tenha um ninho saúdavel, consegue produzir mel.
  • Alça(s): Os brasileiros chamam-lhe "melgueiras", nós por cá somos mais "puristas" chamamos-lhe alças, é a parte onde as abelhas produzem e guardam o mel. Deve existir em época de produção pelo menos uma por colmeia, podendo o seu numero ser no entanto superior.
  • Quadros: São os elementos onde as abelhas operam, eles são uma substituição racionalizada dos antigos favos, onde as abelhas fabricam a cera que posteriormente serve para armazenar mel, polén, criação. Existem normalmente entre 8 e 11 quadros por ninho ou alça, consoante os casos, sendo que na pratica o ninho tem normalmente 10 quadros.
  • Quadros: O objecto físico onde as abelhas constroem os favos, uma armação em madeira de medidas mais ou menos rígidas consoante o tipo de colmeia e onde as abelhas e a mestra claro, colocam desde os ovos até ao polén para sua própria alimentação e continuidade.
  • Prancheta de agasalho: Este conjunto de caixas sobrepostas normalmente é encimado por uma tampa que de certa forma isola o interior da colmeia do exterior.
  • Tecto: A parte de cima da colmeia, sobreposta á prancheta de agasalho quando existe, que limita e protege a parte de cima da colmeia tanto do vento como da agua e até mesmo de invasões externas. Quando existente, pode criar uma caixa de ar que isola do frio e do calor o interior da colmeia, em muitos casos e quando necessário pode dar-se alimento artificial á colmeia através desta peça, sendo o mesmo colocado em cima da prancheta de agasalho.
Como já disse anteriormente a parte mais importante da colmeia é o ninho. É aqui que a mestra, que é a administradora da colmeia faz a gestão da postura que leva ao aumento ou diminuição do numero de abelhas existente na colónia, disso vai depender o desempenho e viabilidade dessa mesma colmeia, claro que este sucesso depende da qualidade da mestra mas não é hoje que vou abordar esse ponto.

Alça e meia alça reversivel/lusitana come sem quadros

O ninho é composto normalmente por dez quadros, separados entre si por uma regra denominada por "espaço abelha" que mais não é que uma medida que varia entre os 6mm e os 9mm, e isto porquê? porque se descobriu que se a medida dos inferior aos 6mm as abelhas teem tendência a propolizar (tapar e preencher com própolis), se for superior aos 9mm as abelhas teem tendência a construir cera (favos).

Colmeia lusitana

Posto isto temos então como diferenças entre os tipos de colmeias abordados, as suas medidas, sendo que no caso das colmeias lusitana e reversível, uma caixa quadrada com medidas internas de 380mm por 380mm, se juntarmos a isto 2 x 25mm da espessura da madeira resulta numa medida de 430mm. É óbvio que tudo o conjunto vai respeitar esta medida porque como foi dito anteriormente tudo se sobrepõe desde o estrado até ao tecto. A diferença está então onde? a diferença entre estas duas colmeias está então na altura, enquanto a lusitana tem 310mm de altura a reversível é de 240mm.

Colmeia reversível

As alças, dado que as dimensões comprimento x largura são idênticas, são compatíveis em ambos os modelos, sendo que uma alça lusitana é igual á alça e/ou ninho reversivel, ou seja 380mm x 380mm x 240mm, podendo também em vez de alças para armazenamento do mel, serem usadas meias alças, iguais em comprimento x largura mas diferentes na altura sendo que uma meia alça tem 380mm x 380mm x 170mm.
As alças como já disse podem ser usadas em qualquer modelo, no entanto os quadros e ao contrario do modelo reversível que tanto podem ser usados no ninho ou na alça, daí o nome da colmeia ser "reversível" na lusitana o mesmo não pode acontecer entre os quadros do ninhos e os quadros da alça, pois as medidas são diferentes.

Colmeia langstroth

A colmeia langstroth segue a mesmas regras e a mesma forma de organização que as anteriores mas e ao contrario das anteriores que resultam numa caixa quadrada, esta resulta numa caixa rectangular, tendo então uma largura de 380mm (comum a qualquer modelo e que á frente explico a razão) por uma profundidade de 485mm e uma altura de 240mm. A alça deste modelo tem a mesma dimensão do ninho, no entanto e devido ao peso quando cheia de mel, peso que oscila entre os 25kg e os 30Kg sendo que normalmente se usa uma meia alça com as mesmas medidas largura e profundidade mas cuja altura é de 170mm.


Tanto nos modelos langstroth e reversível a primeira alça é designada por sobre-ninho, isto porque é frequente as mestras subirem a esta parta da colmeia para continuar/efectuar postura.

Quadro meia alça reversivel/lusitana
Por ultimo a razão da semelhança da largura entre os diversos modelos está em que os quadros teem um valor médio de 25mm, logo temos que 10 (número médio de quadros de ninho) x 25mm=250mm + (11(o nº de intervalos entre os quadros e as paredes esq. e dir.) x 12mm (o valor que os fabricantes usam em média para compatibilidades entre os quadros) = 132mm, então temos 250mm+132mm= 382mm, arredondado obtemos então os 380mm.



              
 Quadro alça reversível/lusitana

Começa a ser vulgar e pelo acima demonstrado que muitos apicultores, no ninho optem por diminuir os espaço entre os quadros e em vez de 10 usarem 11 quadros no ninho, pois e basta pensar nos cálculos apresentados ver que eles chocam com a regra básica
 do espaço abelha.

Quadro lusitano

Os quadros destas diferentes colmeias são fáceis de calcular sendo que na pratica teem de respeitar o espaço abelha tanto em comprimento como em altura sendo que teem e consoante o modelo a que nos referimos menos 10mm de comprimento e menos 10mm de altura, a travessa superior do quadro tem normalmente mais 30mm para que o mesmo possa assentar na reentrância existente na caixa sem cair ou no caso de alça, assentar nos quadros de baixo.

Apialentejo

3 comentários:

  1. Bom dia,
    Muito obrigado pela informação.

    ResponderEliminar
  2. oal existe algum desenvolvimento relatico ao uso de 11 quadros

    obrigado

    ResponderEliminar